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Belém desmatou 130 Bosques em 12 anos

PERDA VEGETAL - Devastação ocorreu justo no cinturão verde que protege a cidade, nas ilhas

No período de 12 anos, entre 2001 e 2012, Belém perdeu 1.955 hectares ou 19,55 milhões de metros quadrados de massa verde, cobertura vegetal fundamental ao equilíbrio térmico e preservação da fauna nativa. A informação é  do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). A área desmatada equivale a mais de 130 Bosques Rodrigues Alves, que tem 15 hectares. Nesse período, foram derrubados 2.301 hectares de mata e replantados 206 hectares. Os dados do Imazon foram obtidos pela ferramenta Global Forest Watch (GFW), que demonstra por mapas via satélite a devastação e o reflorestamento de áreas no mundo.

O Imazon informa que a maioria das áreas verdes desmatadas está nas regiões mais afastadas do centro urbano de Belém, como as ilhas e a periferia. A ilha de Mosqueiro é um dos locais que mais teve perda vegetal na última década. Ainda assim, as ilhas ainda constituem um cinturão verde de proteção à cidade. “Quando você vê Mosqueiro e essas ilhas da capital percebe a maior concentração de áreas verdes”, diz o engenheiro florestal Paulo Barreto, pesquisador do Imazon. À pressão da ocupação urbana sobre as florestas soma-se a falta de áreas verdes para a população das áreas urbanas, como parques ambientais ou praças.

Outro problema é a poda de forma equivocada. “A árvore na área urbana, fora das praças, nas ruas, enfrenta um ambiente hostil, a calçada, a poluição, tem que ter um cuidado especial. Tem a ver com poda. Em algumas áreas já fizeram a calçada de um jeito errado e afetou as raízes, outra é as pessoas plantarem árvores erradas nos lugares errados”, explica.

O aposentado João Souza cuida sozinho de 30 canteiros de mangueiras na avenida Governador José Malcher, entre as travessas Castelo Branco e 14 de Abril, há quase 20 anos. Ele limpa a raiz, tira o lixo, fixa cercados e coloca até frases de extímulo ao cuidado com as árvores. “Os canteiros eram lixeiras quando comecei. As pessoas faziam de sanitário. Um desrespeito. Muitos tentaram antes de mim e desistiram”, lembra. A persistência trouxe o reconhecimento. “Se todo mundo fizesse um pouquinho seria melhor”, opina a empregada doméstica Maria José da Silva, 46 anos.

A Celpa é um mau exemplo histórico da falta de cuidado com as mangueiras, símbolos de Belém. Para liberar a rede elétrica, a poda é feita sem cuidados mínimos, como mostra uma mangueira na José Malcher, próximo à travessa 3 de Maio, cuja copa do lado esquerdo foi extirpada, resultando em desequilíbrio da árvore e aumento do risco de queda com ventos ou chuvas fortes. 

“A cidade é arborizada, mas não há o cuidado necessário. Você vê mangueiras cobertas por ervas de passarinho”, lamenta João, para quem é necessário consciência sobre a importância das árvores. “Somente a educação ambiental dará jeito. Se fosse assim todos os canteiros de Belém teriam flores”, afirma.

Para o pesquisador Paulo Barreto, é necessário que Belém adote políticas públicas que aumentem a qualidade de vida dos habitantes, o que significa ampliar e cuidar das áreas verdes. “Tem vários estudos demonstrando a importância de áreas verdes para o conforto da população. As pessoas gostam de ir para essas áreas, caminhar e relaxar. Quem mora na área mais adensada não tem essa oportunidade. E aqui tem um agravante, que mesmo nas áreas existentes, muitas pessoas não as visitam com medo da violência”, avalia.

Fonte: http://www.ormnews.com.br/noticia/belem-desmatou-130-bosques-em-12-anos

 

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